De volta à terrinha

E assim aconteceu... estamos de volta, para trás ficam as imagens belas de uma terra austera, em grande parte semidesértica onde as pessoas são de trato difícil e um pouco rudes. O primeiro contacto é duro e nós, nas quase três semanas que deambulamos por estas terras não muito distantes, apenas por alguns momentos podemos vislumbrar o que exactamente vai na alma deste povo mesclado.
No deserto, em conversa com "Mohaminta", durante o amanhecer de 2006, conseguimo-nos aperceber das tensões raciais entre os árabes e as tribos ex-nómadas berberes, da repressão policial que se manifesta de forma sub-reptícia e quase sempre imperceptível ao olho polaróide de quem por ali passa apenas uns dias, do fosso olímpico que separa ricos e pobres e, infelizmente, da resignação desta gente que não confia em ninguém e cuja esperança assenta numa resposta divina aos seus "inshala" (oxalá). Por momentos a chama da ira parece pairar nos olhos deste guia de cinquenta e poucos anos mas logo se esmorece perante a sua realidade quotidiana e a incoerência dos que o rodeiam. "Para quê lutar pelos outros se ninguém luta por mim" diz. A política provoca-lhe dores de cabeça e prefere não falar mais disso.
Do ponto de vista institucional podemos contactar de forma aprofundada (demais para o nosso gosto) com alguns exemplos do sistema judicial e de saúde. O primeiro devido ao roubo da mochila da tenda e que nos ocupou um dia inteiro a tentar convencer o chefe de policia local a passar-nos uma declaração para a companhia de seguros sem que fosse necessário acusar formalmente o dono do "Auberge Petit Prince". Com esta acusação iniciar-se-ia um processo ao estilo kafkiano com várias fases de audição de testemunhas, cada uma delas em tribunais de instâncias superiores e com possível prisão preventiva do dono do referido auberge, apontando pelo polícia como o responsável (culpado). Para dar mais realismo à coisa até o chefe de policia tinha uma imagem sinistra, baixo, gordo e bigode ao estilo de um ditadorzeco sul-americano e um olho de cada cor, gesticulando copiosamente lá ia aterrorizando ainda mais o dono do albergue. Infelizmente, como devem compreender não me foi possível tirar-lhe uma fotografia. Tudo ficou em águas de bacalhau não conseguimos o papel, a segurador ignorou-nos completamente vamos a ver se não temos que arranjar o telefone da DECO.
A segunda interacção iniciou-se com a Tita a queixar-se de uma possível infecção viral na garganta indiciada por alguns elementos dolorosos ao jeito das aftas na língua e boca. Decidimos procurar o hospital local um medico geloso apareceu e em cinco minutos fez um diagnostico básico receitando uns comprimidos quaisquer. Próxima cidade, segunda tentativa, agora num pequeno hospital com meia dúzia de salas. O médico desta feita encimando um boné de basebol lá aceitou ver a Tita, durante a consulta saca do "livro das doenças" para tentar procurar os sintomas que afectavam a Tita. Ficamos claramente esclarecidos sobre a grande qualidade do médico quando, após ler que poderia ser algo contagioso, soltou uma gargalhada e disse que não devia ser nada. Mais uma cidade mais um hospital, este já de aspecto central e onde o médico apesar de não identificar completamente o problema pelo menos não tentou receitar nada que tivesse o efeito contrário ao de curar. Apenas ao quarto médico agora já em Fez e numa clínica super privada é que foi identificada a causa e dada a medicação mais indicada. Fantástico Melga!!! Ou pagas ou morres, e isto se morar numa cidade grande.
Para concluir este já longo e derradeiro post, ficam mais algumas imagens dispersas. De tudo o que vimos as cidades têm alguma piada no seu caos de veículos, pessoas e animais. No entanto, foram as paisagens naturais que mais nos cativaram a atenção. Desde a grandiosidade das montanhas Atlas à magia que paira por entre a areia fina das dunas quase como se de seres animados de vida se tratassem, cobras com elefantes na barriga panadas em pão ralado.
Obrigado a todos pelos comentários e piadinhas, e aqui nos despedimos até uma próxima oportunidade.
Beijos e Abraços
Pedro e Tita
















































O palacio Ali-Bei antes grandioso agora habitado por aves raras.
que se assomam de vez em quando para duas de treta com o vizinho na Medersa


Na aldeia de Asni encontramos a feira semanal, hipermercado berbere onde se vendfe desde o talher a tamara, nos fundos,perto do parque de estacionamento para mulas de todos os tamanhos movidas a GPL ou Super, desencantamos uma tasca onde comemos uma Tagine divinal. De rabo no chao e de pe descalco entretivemo-nos com o estufado de vegetais e carnes. 







































